
Ex-São Paulo, Talles Costa foge da guerra na Ucrânia e busca novo clube: "Tive que correr com as próprias pernas" - MonsterSport - Notícias de mundo da bola
MonsterSport News
Redação Esportiva
Revelado pelo São Paulo, Talles Costa vive um momento inédito na carreira: livre no mercado. O meio-campista de 23 anos está sem clube após rescindir o contrato com o Polissya, da Ucrânia. A guerra no país foi o principal fator para o retorno ao Brasil.
Em entrevista exclusiva ao Blog da MonsterSport, Talles Costa revelou que não teve suporte do clube ucraniano durante o período no país. Na chegada em 2024, a esposa do universo do futebolista de elite estava grávida e precisou voltar ao Brasil para fazer o parto.
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“Desde o começo, sempre fiz questão de ir com a minha família, até porque minha esposa estava grávida. O representante veio até aqui no Brasil, teve uma reunião e ele disse que ia ter todo o suporte. Chegando lá, eu não tive (suporte)“, iniciou.
“Na parte extracampo, eu tive que correr com as próprias pernas e depender muito de Deus para viver ali, de pessoas que nos ajudaram. Pessoas do clube? Não. Foi difícil. Eu fui sabendo onde estava indo, mas essa questão de não ter o suporte deles foi difícil para mim”, completou ao MonsterSport.
A guerra impacta bastante no dia a dia do craque da bola e do clube na Ucrânia. As viagens para os partida intensas eram cerca de dez horas de ônibus. A cidade de Zhytomyr, sede do Polissya, não era ponto central do conflito com a Rússia, mas também sofre com episódios.
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O sonho de Talles Costa em jogar no mundo da bola europeu não foi em vão. O brasileiro disputou a Conference League e mantém o desejo em dar continuidade à sua trajetória no Velho Continente.
“É um momento novo (estar sem clube), que eu nunca tinha passado na minha carreira. A gente tem avaliado as conversas que têm acontecido. No momento, eu não consigo te falar ainda. Mas a gente tem a vontade de continuar lá fora. Tem sondagens, mas eu prefiro esperar as coisas mais concretas.”
Influência da guerra para rescindir
“A guerra influencia para muita coisa. Se não fosse a guerra, eu poderia estar com a família, as viagens ficariam mais tranquilas. Ela abre brecha para várias outras situações que deixa mais difícil. Parece meio louco isso, mas até em ambiente de guerra a gente se adapta.
O que facilitou para essa adaptação foram pessoas que Deus colocou no nosso caminho, deixava as coisas mais leves, fez com que eu suportasse. A questão do meu filho também conta muito. Desde que meu filho nasceu, ele completou dois anos, eu era mais um visitante do que um pai.”
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O que mudou na cabeça de Talles de 2024 para 2026?
“Tinha outras propostas do Brasil e do México. De repente, me chegou essa proposta da Ucrânias. Eu sempre tive essa vontade de jogar na Europa, e, das oportunidades, a Ucrânia era o que tinha essa possibilidade. Antes de eu ir, visualizei que é um clube que vai poder me dar uma condição, dependendo de como a gente for, para poder crescer nesse mercado europeu.
Você vai falar em questão da guerra? Eu fui para lá sabendo que havia guerra e que a cidade do clube era tranquila. Imensas dificuldades, mas dava pra viver, sabe? O fato de estar na Ucrânia, você está numa condição de risco, só que ali eu me sentia ainda um pouco mais seguro. Uma das coisas que para mim mudou foi porque, desde o começo, sempre fiz questão de ir com a minha família, até porque minha esposa estava grávida.
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O representante veio até aqui no Brasil, teve uma reunião e ele disse que ia ter todo o suporte. Chegando lá, eu não tive (suporte). Na parte extracampo, eu tive que correr com as próprias pernas e depender muito de Deus para viver ali, de pessoas que nos ajudaram. Pessoas do clube? Não. Foi difícil. Eu fui sabendo onde estava indo, mas essa questão de não ter o suporte deles foi difícil para mim.”
Perrengues passados na guerra na Ucrânia
“Eu me lembro de uma vez que eu estava dormindo, e começou os alarmes. A gente sempre fazia esse balanço. Eu dormia, descansava, e quando tocava alarme, minha esposa ficava de olho no grupo. E aí aconteceu: ‘Vamos descer, está perigoso’. E eu insistindo: ‘Não, não estou escutando nada’. Beleza, desci. Na hora que botei a cara para fora na porta, eu vi os tiros, aqueles fogos atravessando. Depois, explosões. Já senti dar uma tremida, com o choque que dá no ar.”
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